Obras ´populares´ chegam à idade da pedra
Mídia: Folha de São Paulo
O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de pedras naturais. Suas jazidas oferecem mais de 500 tipos de rocha. O resultado: preço menor e, em decorrência, a possibilidade de atrair mais consumidores.
Essa expansão de consumo se confirma, segundo as marmorarias. Manuel Benito Iglesias Otero, 59, sócio-proprietário da Pedras Belas Artes, arrisca uma explicação: ´As pessoas entenderam que as pedras, além de bonitas, valorizam o imóvel´.
Tudo somado, elas já começam a aparecer em construções de padrão médio, um território antes ´habitado´ somente por materiais mais baratos.
´De cinco anos para cá, começaram a aparecer em casas ´populares´ ardósias e até granitos e miracemas´, concorda Antonio Sousa, 36, da marmoraria Geológico.
Mas ´pedras baratas chegam a desvalorizar imóveis de padrão mais alto´, lembra Sousa.
Vânia Cardoso, 31, vendedora da Minas Pedras, aponta a volta das pedras mineira e goiás. ´A goiás só é boa para piso, pois suas placas são muito grossas. Já a mineira serve para tudo.´
Para a arquiteta Heloisa Dabus, também estão voltando o mosaico português e os filetes de pedra goiás, comuns na década de 60.
O arquiteto Roberto Negrete conta que a moda agora são os pisos reconstituídos, das linhas limestone, romastone e silestone. ´O limestone é ótimo para quem não tem ´neura´ de manchas, porque é muito poroso, como qualquer pedra calcária.´
Transformação
A característica das pedras que mais seduz arquitetos e decoradores é a possibilidade de trabalhar, recriar, moldar e tornar mais ´humana´ uma criação da natureza.
Entre as inúmeras possibilidades, a arquiteta Heloisa Dabus recomenda o uso de tons diferentes na colocação de ´cabuchons´ (pequenas peças intercaladas com placas maiores), por exemplo.
O arquiteto Aragão Rambelli, por sua vez, considera charmoso o piso da sala feito de pedra mineira e afirma que a pedra goiás ´tem uma textura interessante´.
Mas, quando o cliente quer sofisticação, o mármore é a escolha. Pode ser instalado em pisos e paredes. Mas, devido ao preço, geralmente ele só é usado na vertical em alturas de, no máximo, 1,2 m.
A arquiteta Sandra Picciotto conta que escolhe uma pedra também por sua durabilidade, conforme o local de cobertura.
´Para as áreas internas sociais, utilizamos mármores brancos, como o Calacata Oro, arabescato Vagli ou também o limestone ou travertino romano bruto. Para as molhadas, usamos desde granitos até materiais compostos.´
O arquiteto Roberto Negrete prefere atacar o ´mito do mármore no banheiro´. Experiente em projetos desse tipo, ele recomenda o granito. ´O mármore representa um desejo, mas fica cada vez mais difícil conservá-lo em contato com sabonetes e xampus.´
Mármore e granito
Mas nem todo mundo sabe a diferença entre mármore e granito, as pedras mais comuns do mercado. Uma dica dos especialistas é observar a quantidade de pigmentos pretos na rocha, que denunciam se tratar de granito.
Para Eurípedes Rosa Júnior, da marmoraria Itália, quanto mais pintas nas pedras, mais líquidos elas absorvem. ´O branco-polar, por exemplo, é pouco absorvente.´ Negrete lembra que muitas pedras recebem uma demão de resina hidrófoga (que repele a água). Mas todas mancham sem impermeabilização.
Por isso é importante que o contrapiso esteja seco. ´Alerto meus clientes de que o granito branco-polar, por exemplo, amarela até que fique seco´, afirma Dabus. (NATHALIA BARBOZA)

