A FAVOR DO TRABALHO
Mídia: REVISTA AU EDIÇÃO 153
A FAVOR DO TRABALHO
FLEXIBILIDADE DE USO, CONFORTO AMBIENTAL E ERGONOMIA SÃO ALGUNS DOS FATORES DECISIVOS QUE GERAM ESPAÇOS CORPORATIVOS AGRADÁVEIS E ESTIMULANTES
POR SILVANA MARIA ROSSO
Ao projetar um ambiente corporativo, se por um lado é importante promover a integração, por outro, deve-se levar em conta o indivíduo e as possíveis interferências externas, preservando a sua privacidade. "Um espaço bem planejado facilita o desempenho das atividades, trazendo mais produtividade e, conseqüentemente, preservando a auto-estima das pessoas", ressalta Isabel Ária, diretora da Satôria, empresa de estratégias de recursos humanos.
O diagnóstico realizado com cada funcionário e com a equipe tem levado a novas interpretações dos espaços. Projetos corporativos começam a prever áreas especiais para convivência, pesquisa, pequenas refeições e "até para cuidados com a saúde", destaca Isabel. "É preciso conhecer as pessoas que vão ocupá-lo e suas necessidades individuais e coletivas, o trabalho a ser realizado, o fluxo da informação, a cultura da empresa e onde ela quer chegar", alega.
"Não se deve esquecer da identidade corporativa, que precisa estar intrínseca à estética do projeto", acrescenta a arquiteta Ana Mello, mestre em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP e docente da pós-graduação do Centro Universitário Senac. Atualmente, o ambiente de trabalho é um reflexo da filosofia e da imagem da corporação, mostrando a importância de cada colaborador e do próprio cliente em sua cadeia produtiva. "O tamanho da mesa, por exemplo, já não determina a hierarquia que a pessoa ocupa e sim as necessidades da atividade", explica Heloisa Dabus, da Dabus Arquitetura.
Versatilidade para mudanças
As empresas ampliam ou reduzem os postos de acordo com as suas necessidades momentâneas e as rápidas transformações tecnológicas também exigem flexibilidade e agilidade na hora de instalar novos equipamentos.
Assim, o mobiliário deve permitir a alteração de layout sem maiores transtornos e obras, enfatiza a arquiteta Lua Nitsche, que prefere as instalações aparentes, mesas e cadeiras padronizadas, facilitando futuras mudanças. Heloisa Dabus é adepta do open space, que, segundo ela, é mais barato e consente a expansão sem a necessidade de mexer na infra-estrutura. Segundo Heloisa, o piso elevado assim como as divisórias e biombos que embutem as instalações propiciam espaços mais versáteis.
Conforto ambiental e sustentabilidade
Excesso ou carência de luz, calor e ventilação, e a interferência de ruídos externos e internos podem causar desconforto e diminuir a produtividade do funcionário. "No entanto, a resposta a esses estímulos é única e, por isso, o conforto ambiental deve ser estudado de maneira abrangente", sugere a arquiteta Joana Gonçalves, professora de sustentabilidade e conforto ambiental da FAUUSP.
As medidas para garantir o bem-estar variam de acordo com cada espaço. Mas muitos problemas de interiores acontecem devido à má arquitetura, alerta Gilda Collet Bruna, arquiteta e coordenadora da pós-graduação de arquitetura e urbanismo do Mackenzie. "O uso abusivo do vidro, por exemplo, gera um clima interno inadequado, pois a radiação do sol converte-se em calor que depois deve ser retirado", alerta Gilda.
O controle apropriado da incidência solar, da ventilação natural, da umidade e do resfriamento do ar traz benefícios sobre o rendimento do funcionário e gera ambientes eficientes, sustentáveis e econômicos.
Já os ruídos do ambiente podem ser minimizados com a setorização das atividades, evitando possíveis conflitos, e com o confinamento de áreas que exigem sigilo e privacidade, além dos forros acústicos e as divisórias tratadas especialmente, relata o arquiteto João Gualberto Baring, professor doutor em acústica de edificações da FAUUSP.
Móveis funcionais e ergonômicos
O bem-estar do usuário está diretamente relacionado à adequação do mobiliário às suas necessidades de uso e características físicas. Para um sentar confortável, a cadeira deve propiciar boa sustentação lombar, assegurando aos pés apoio no piso e, às pernas, livre movimentação, evitando que sofram pressão nas coxas e nas panturrilhas. "O ideal é que a cadeira possa abaixar-se no mínimo até 32 cm", ensina o designer João Bezerra Menezes, professor de ergonomia e de design e arquitetura da FAUUSP. De acordo com Menezes, a altura ideal do plano de trabalho é entre 65 cm e 75 cm.
Se o layout do mobiliário não permitir o apoio dos membros superiores na superfície de trabalho, ele pode ser garantido com a sustentação dos braços da cadeira, que também devem possibilitar os ajustes de altura e largura.
COMUNICAÇÃO ÁGIL
Em conseqüência do rápido crescimento - a equipe dobrou de 15 para 30 funcionários - e da necessidade de deixar o imóvel em prazo determinado, a Red Comunicações, agência de publicidade localizada em Alphaville, São Paulo, precisava de um novo espaço em 45 dias. A solução para agilizar a obra, adotada pela Dabus Arquitetura, foi utilizar o open space como layout e fechar os ambientes com drywall e persiana embutida em vidro duplo, materiais rápidos e simples de instalar. Como a atividade da empresa envolve criação e apresentação a clientes, a acústica foi tratada para manter a privacidade de algumas áreas. As divisórias de drywall foram planejadas com duas paredes de piso a teto, recheadas de lã de vidro com 32 kg/m3. As áreas envidraçadas também acabam na laje e são vedadas com silicone. O piso elevado resolveu com flexibilidade a passagem do cabeamento estruturado até as estações de trabalho. Na recepção, valorizou-se a imagem do escritório optando por design e acabamentos diferenciados, como os forros de gesso curvos e rebaixados, e o piso resinado. Segundo Heloísa Dabus, arquiteta responsável pelo projeto, "o vermelho é predominante para transmitir despojamento e estimular a criatividade".









